Morte marcha; você tabém

Por

Sempre em frente
Sempre marchando

Seguindo o ritmo do exército
Os pés andam, cavam, amassam
Os pés roubam, surrupiam, afanam
Os corpos ao lado
O sangue prateado
Os pés gritam, gemem, falam
Os pés matam, eliminam, escondem
A voz final do anjo
O sussuro final do cadáver

Sempre em frente
Sempre marchando

As espadas que correm os pescoços
O chicote que pune as costas
A cicatriz do orgulho e do desespero

Sempre em frente
Sempre marchando

Para trás a memória
Pertence ao sonho inalcançável
As mãos buscam, tentam, almejam
As mãos apertam, seguram, pressionam
Sem presença, sem forma e sem força
As mãos seguem, obedecem, não questionam
As mãos cortam, mutilam, desmembram
O movimento é repetitivo
A culpa é esquecível

Sempre em frente
Sempre marchando

Seja a garganta do animal ou do humano
Escorre até seu pé o fato
Os olhos veem, observam, enxergam
Os olhos choram, lacrimejam, entristecem
Sem ação pois essa vem da mão e do pé
Observadores apenas do próprio mal
Os olhos temem, sofrem, querem fugir
Os olhos julgam, abominam, não entendem
Sob o olhar do vigia
Através da viseira da íris castanha

Sempre em frente
Sempre marchando

Seja na batalha
Ou no eventual velório

Sempre em frente
Sempre marchando

Sob a luz das velas e dos choros velados
Ou dos gritos e do sangue avermelhado

Sempre em frente
Sempre marchando

Na luz fraca da lua na noite calma
No sol escaldante do meio da batalha

Sempre em frente
Sempre marchando

A morte chega a todos que falam
E você, morte assim como ela, é quem os cala

Sempre em frente
Sempre marchando
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